Copa do Mundo: mais jogos e maior desgaste dos atletas – 17/06/2026 – PVC
Maradona brilhou na Copa do Mundo de 1986 depois de disputar 31 partidas da temporada europeia pelo Napoli.
Zidane estreou no Mundial de 2002 em 31 de maio, 16 dias após marcar o mais belo gol de sua carreira, na final da Champions League. Um voleio de pé esquerdo, no ângulo do goleiro Butt, do Bayer Leverkusen.
Foram 51 jogos do francês naquele ano de Real Madrid. Na Copa, não conseguiu jogar mais que 90 minutos e a França foi eliminada na fase de grupos.
Maradona no século 20 x Zidane no século 21 indicam como a quantidade de jogos aumentou. Consequentemente, cresceu o desgaste de quem joga em alto nível e chega à Copa sem a mesma condição de brilhar. Isso explica, em parte, o fracasso de grandes craques nos Mundiais a partir do ano 2000.
Figo foi eleito o melhor do mundo em 2001. Portugal caiu na fase de grupos em 2002.
Ronaldinho Gaúcho foi mal em 2006.
Messi e Cristiano Ronaldo não atuaram nas Copas de 2010, 2014 e 2018 no mesmo patamar de suas atuações na Champions League.
A exceção foi o Qatar, porque o Mundial começou em novembro, no meio da temporada, antes do desgaste excessivo dos maiores craques. Aquele foi o palco ideal para Messi e Mbappé se tornarem protagonistas da maior final de todos os tempos: Argentina 3 x 3 França, dois gols de Lionel, três de Kylian.
As atuações de Messi e Mbappé contra Argélia e Senegal inauguram a esperança de que 2026 seja parecido com o Qatar. Se acontecer, será a primeira Copa no verão do hemisfério Norte, no século 21, em que gênios podem sair da lâmpada mágica.
Messi tem só 16 partidas em 2026. Mbappé disputou 44 na temporada do Real Madrid. É bastante, mas as lesões fizeram com que jogasse nove vezes a menos que Vinicius Junior, sete menos que Zidane no ano da lesão na Ásia.
O desgaste tirar dos maiores craques do século 21 o seu melhor desempenho em Mundiais é tese, não certeza absoluta. Zidane atuou 49 vezes pela Juventus em 1997/98 e foi protagonista do primeiro título mundial da França.
Mas sua Copa mais espetacular foi a de 2006, depois de 38 jogos pelo Real Madrid.
Extraordinários na campanha do Penta, Ronaldo e Rivaldo passaram o ano anterior convivendo com lesões. Rivaldo fez cinco gols nos sete jogos vencidos pela seleção de Felipão. Jogou 33 vezes pelo Barcelona. Ronaldo foi artilheiro, com oito gols. Havia disputado só 16 partidas pela Internazionale, terceira colocada do Campeonato Italiano.
Dembélé, atual eleito pela Fifa, entrou em campo 40 vezes pelo PSG antes de viajar para os Estados Unidos por sua seleção.
Se a teoria do desgaste se cumprir, Vinicius Junior pode ter problemas. De todas as estrelas, o brasileiro, eleito The Best pela Fifa em 2024, foi quem mais atuou em 2025/26. Foram 53 jogos, nove a mais que Mbappé, 13 em comparação com Dembélé.
É como se seu ano tivesse dois meses a mais que o dos franceses. Mas Vini se sente em seu melhor momento: “Estou no meu auge técnico e físico”. A declaração aconteceu na véspera da estreia contra o Marrocos e seu desempenho salvador confirma, em parte, o que afirmou.
Foi a melhor atuação da equipe de Ancelotti.
Vinicius pode perfeitamente desmentir a teoria do descanso. Endrick pode confirmá-la. Chega à Copa com 21 partidas entre Real Madrid e Lyon na soma das competições europeias.
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