Copa do Mundo: Japão é ameaça o Brasil? – 27/06/2026 – Coluna FolhaStats


Começando pelo básico: o Brasil tem amplo favoritismo contra o Japão no duelo eliminatório desta segunda-feira (29). O supercomputador da Opta dá 58% de chances de vitória no tempo normal para o time de Ancelotti, 18% para os japoneses e 24% para empate.

O favoritismo brasileiro se repete em outros modelos de previsão. Em geral, eles consideram o desempenho histórico das equipes, últimos jogos, confrontos diretos e outras variáveis semelhantes. Mas ter chance maior de vitória não significa necessariamente vitória, especialmente num esporte menos previsível como o futebol (o mesmo modelo da Opta, por exemplo, apontou 87% de chances de vitória para a Espanha contra Cabo Verde, e o jogo terminou em empate).

O que leva o Japão a ter chances razoáveis de eliminar um gigante pentacampeão como o Brasil?

Chama a atenção a capacidade que a equipe asiática tem de se adaptar a diferentes estilos de adversários e variar seu próprio jogo.

Na primeira rodada, ante a poderosa Holanda, conseguiu um empate em 2 a 2, jogando com pouca posse de bola (40%). Na partida seguinte, bateu a Tunísia por 4 a 0, com 62% de posse.

Uma possível explicação para essa capacidade de adaptação é a longevidade do técnico Hajime Moriyasu, no cargo há oito anos, com muito mais tempo de treinamentos do que o comandante do Brasil, no posto há pouco mais de um.

A equipe japonesa tem variado nesta Copa não só a quantidade de bolas dominadas como a distribuição do seu jogo. No empate com a Suécia, concentrou seus passes no meio-de-campo ofensivo e no lado direito de ataque. Contra a Tunísia, usou principalmente os dois lados do campo, com menos trabalho pelo meio.

Os japoneses mostram não apenas adaptabilidade mas também efetividade. Nas estatísticas da Fifa, eles são os líderes em finalizações convertidas em todo o campeonato até aqui: 26% dos chutes viraram gol (para o Brasil, a taxa é de 18%).

Dito de outra forma, a equipe asiática não precisa criar tantas chances para converter.

É uma seleção disciplinada, com apenas um cartão amarelo na competição, ante cinco do Brasil. Esse quesito em geral passa despercebido, mas, quando vem à tona, pode ser fundamental.

O volante brasileiro Casemiro, por exemplo, entrou já com um cartão contra a Escócia. Sob o risco de ser suspenso, a equipe teve de usar uma substituição para poupá-lo. E seu substituto, Fabinho, levou amarelo ao parar com falta um contra-ataque da equipe europeia (um jogador pendurado tem de pesar se, em um lance perigoso do adversário, para a jogada, sob o risco de expulsão, ou deixa o ataque rival seguir).

Na questão física, que analistas destacam como ponto de atenção para um Brasil com jogadores veteranos, a situação é parelha. Japão é 250, e Brasil, 310, em distância total (a soma das movimentações de todos os jogadores) e também estão próximos na velocidade média dos jogadores (6,02 km/h para os asiáticos, 5,98 km/h para os brasileiros).

Se há equilíbrio nesse quesito, nas individualidades o Brasil leva vantagem. Bruno Guimarães é o líder de assistências na competição (três, ao lado do francês Olise e do sueco Isak). E não deve ser tranquilo olhar para o adversário e encontrar Vinicius Junior, quatro gols (vice-artilheiro) e uma assistência.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.



Fonte da Notícia