Copa do Mundo: Haaland fez a diferença, com dois gols – 05/07/2026 – Tostão


Está próximo de iniciar a partida entre Brasil e Noruega. Estou preocupado, como ficava quando jogava. Não dormia bem, mas isso me ajudava em campo. A tensão, até certo limite, melhora a concentração.

Penso na Noruega. Estive em Oslo e fui ao museu para conhecer uma das grandes obras da pintura expressionista, “O Grito”, pintada por Edvard Munch, em 1893, o retrato de um ser humano desesperado diante da angústia da vida. A cara do Halland é o oposto, a do gigante com cara de menino feliz com a vida.

Antes de a bola rolar, imagino que o Brasil terá dificuldades contra o bom ataque da Noruega, pelo alto e pelo chão, mas em compensação deverá ter facilidades contra a lenta defesa da Noruega. No jogo pode ser tudo diferente. Detalhes previsíveis e imprevisíveis podem mudar a história da partida.

Olho pela janela lateral do meu quarto de dormir, lembrando da música de Lô Borges e Fernando Brant, e vejo uma multidão na rua, como nas outras partidas do Brasil, todos eufóricos e agitados, diante de um enorme telão. Os torcedores vibram até mesmo nos escanteios a favor do Brasil, na esperança de um gol.

Será que o jogo será decidido nos últimos minutos, nos acréscimos ou na prorrogação, como tem ocorrido em várias partidas?

Uma das razões seria a entrada em campo no meio do segundo tempo de vários jogadores descansados. Outro motivo, que prefiro, seria a ousadia dos jogadores, que, diante do risco de eliminação, se agigantam em busca da vitória.

Durante as partidas e programas esportivos, gosto de mudar os canais da televisão para ver opiniões diferentes.

Aprecio bastante alguns comentaristas, porém, outros exageram nos chavões, nos comentários prontos e nas repetições de conceitos. Costumam ter uma única explicação para tudo, como se fosse causa e efeito. O futebol é muito complexo.

Começou o jogo. Para minha surpresa, e do mundo do futebol, o Brasil, favorito, com uma história de grandeza, recuava para marcar no próprio campo, sem pressionar, deixando a Noruega, uma seleção sem prestígio e sem história, trocar passes e ficar com a bola a maior parte do tempo.

Deveria ser o contrário. Mesmo assim, no contra-ataque, o Brasil criou várias chances de gol e não aproveitou, perdendo um pênalti, mal cobrado por Bruno Guimarães.

No segundo tempo, pensei que a história da partida seria diferente.

Pelo contrário, a Noruega melhorou com aumento da troca de passes e domínio da bola, diante da passividade da seleção brasileira, sem pressionar, e ficava assistindo à Noruega jogar.

A entrada do talentoso e jovem Bob pela direita melhorou o time norueguês, que passou a criar chances de gol. O Brasil teve também várias oportunidades para marcar.

Em seguida, Haaland fez a diferença, com dois gols no seu estilo, um de cabeça, se antecipando ao zagueiro Gabriel Magalhães, e o outro com uma precisa finalização de fora da área.

Endrick entrou e logo criou uma ótima chance de gol, mas errou na finalização. Parecia que ele iria brilhar, porém pouco depois Ancelotti colocou Neymar e o Endrick foi para a ponta direita, com piora do ataque.

No final, em um pênalti batido por Neymar, o Brasil fez o gol.

Um fracasso inesperado e melancólico. Os jogos decisivos de um Mundial simbolizam a glória e o fracasso, o êxtase e o desespero, a vida e a morte. Quem perde morre e depois renasce para a próxima Copa.


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