Copa do Mundo: eu quero enfrentar a Noruega – 26/06/2026 – Sandro Macedo


Eu quero a Noruega. Pronto, falei.

Sim, sim, o Brasil enfrenta o Japão na segunda-feira (29), pela fase-Infantino (também chamado de 32 avos, segunda fase, play-in ou do que você quiser; gosto de fase-Infantino), criada recentemente para o presidente da Fifa pagar uns boletos extras, em dólar.

Mas este escriba humilde, em momento de soberba, só tem olhos para a Noruega já na fase seguinte, a que todo mundo sabe o nome —oitavas de final. E, sim, sabemos que os noruegueses também têm um rival duríssimo pela frente, Costa do Marfim.

Mas o motivo para querer encontrar os tais vikings é um drama: precisamos vingar a derrota de “O Agente Secreto” no Oscar, quando foi superado pelo tal norueguês “Valor Sentimental”, em decisão que também aconteceu nos Estados Unidos.

No Brasil, as pessoas protestaram, gritaram e pediram recontagem dos votos. Em Oslo não teve nem piquenique na pracinha com caviar e bacalhau. Foi quase um desprezo pela dor brasileira.

Alguns dizem que o filme de Joachim Trier ganhou nos pênaltis, que podia ter dado qualquer coisa, que estava equilibrado e que o VAR acabou interferindo. O fato é que o tal longa impediu o bicampeonato do Brasil. E, como todo mundo sabe, Oscar e futebol têm praticamente o mesmo peso na hora da festa ou do meme.

Já imagino Vinicius Junior marcando o gol e oferecendo para Kleber Mendonça Filho, Matheus Cunha surfando em cima da perna cabeluda, Rayan mandando Wagner Moura colocar a vitória na conta do papa (não, esse é outro filme). Não importa, precisamos tirar esse trauma norueguês da frente.

Ah, sim, também tem esse detalhe de o Brasil nunca ter vencido a Noruega no futebol masculino. Foram quatro confrontos, com dois empates e duas derrotas, incluindo uma na Copa de 1998, quando a seleção perdeu por 2 a 1. É, tem essa vingança também. Mas “O Agente Secreto” está na frente na lista do rancor.

Voltando para questões e pernas menos cabeludas, este escriba precisa dizer que ficou bem impressionado com a seleção japonesa. Comparando um jogo do Japão —contra Holanda ou Tunísia— com um jogo da seleção, parece que o ritmo é diferente. Eles correm como num filme de perseguição alucinante.

Nos jogos da seleção de Carlo Ancelotti, o ritmo é de suspense cerebral, só Vinicius Junior dá pistas de que podemos ter uma revelação a caminho. E nem vamos falar da estreia contra Marrocos, que parecia filme iraniano.

Dos outros confrontos definidos da fase-Infantino, já temos pelo menos um grande jogo: Marrocos x Holanda, em plena Monterrey, poucas horas depois da segundona de Brasil e Japão.

Os holandeses marcaram pelo menos dois gols por jogo e não perdem com a bola rolando desde a Copa de 2010, quando foram derrotados pela Espanha.

E, no Mundial dos recordes, o da Holanda é dos bons. Bateram a maior marca de invencibilidade nas Copas, com 15 partidas, e contando. A marca anterior era do Brasil, de 13 jogos, entre 1958 e 1966.

Já Marrocos é atual semifinalista (ficou em quarto lugar no Qatar, em 2022), e só está em segundo no grupo da seleção brasileira por conta do saldo de gols. Saldo de gols não é o forte marroquino.

De resto, eles são danados.


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