Copa do Mundo: esporte de comentaristas é a informação – 23/06/2026 – PVC
Thierry Henry é um sucesso de crítica como comentarista da Fox, nos Estados Unidos. Tanto que já mereceu elogios no britânico The Guardian e no norte-americano The Athletic, braço esportivo do The New York Times.
O sucesso de público do trio que forma com Alexi Lalas e Zlatan Ibrahimovic nas análises pré e pós-jogo e no intervalo contrasta com as críticas severas feitas pelos dois grandes jornais ao comportamento de Lalas e Zlatan.
“Highlights de arrogância”, escreveu Andrew Marchand, no The Athletic, sobre o comportamento de Ibra.
Um comercial transmitido nos intervalos da Copa mostra o craque sueco de frente para o espelho imaginando a frase após o título: “França, campeã mundial! Não, não está bom. Argentina, campeã mundial. Não, também não. Zlatan, da República Zlatan, campeão mundial de futebol. Agora sim!”. É um personagem.
“O francês aristocrata e o idiota americano”, escreveu Aaron Timms, no The Guardian. Nos dois casos de elogios, são a Henry e à apresentadora Rebecca Lowe. As críticas são à arrogância de Ibrahimovic e à tentativa de Lalas de ser o americano típico: “Gostaríamos que Lalas nunca tivesse aprendido inglês, especialmente quando usa seu estilo ‘hot take’”, escreveu Andrew Marchand, referindo-se às polêmicas vazias. “É o mais insuportável dos comentaristas.”
Henry é calmo, sereno, didático e usa o telão para mostrar imagens que esclarecem. Mostra Cristiano Ronaldo sem abrir espaço para seus companheiros de time: “Portugal precisa de gols, não é você quem precisa de gols”, disse Henry.
Com o perdão da redundância, a preferência desta coluna é pelo estilo Thierry Henry, principalmente pela capacidade de criar um tipo de programa que une personagens diferentes, informa e diverte.
Esta maldita palavra vazia usada em emissoras de TV do Brasil, “entretenimento”, significa que você precisa parar diante do monitor por algum motivo. Informar-se ou apenas rir. Entretenimento é palavra vazia, porque tudo isso pode entreter.
E informação é a coisa mais moderna do mundo moderno. Chico Anysio e Jô Soares usavam informação para montar personagens divertidos.
O que há na Fox, com o quarteto Lowe, Henry, Ibra e Lalas, é direção. Não importa se está na tela um ex-jogador, um jornalista, um comediante ou um influenciador. Tem de cumprir uma função. Para o meu gosto, Henry cumpre mais que Lalas.
Mas a soma é melhor que Jorginho, do Flamengo, contratado para ser comentarista ocasional na Copa.
Questionado sobre o que lhe chamou a atenção no início do Mundial, respondeu que estava viajando e só viu o Brasil antes de retornar das férias. Foi contratado para dizer que não sabe e que não viu?
Até entretenimento tem de ser profissional.
Sou suspeito. Comentarista há 26 anos, presente na cabine de transmissão das últimas cinco finais de Copa. Uma mesa-redonda deveria contemplar sempre a variedade de estilos e opiniões. Era assim a Mesa Redonda Facit, a primeira do estilo no Brasil, em 1965, na TV Rio.
Luís Mendes apresentava de terno, como Armando Nogueira, que pretendia ser o comentarista de respeito. Junto a eles estavam João Saldanha, José Maria Scassa, Nelson Rodrigues e o craque da Copa de 50, Ademir de Menezes.
Se estamos falando sobre eles 60 anos depois, é porque ficou legado.
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