Copa do Mundo: A Fifa virou refém – 07/07/2026 – PVC
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, admitiu ter recebido telefonema de Donald Trump solicitando a revisão do cartão vermelho dado pelo árbitro brasileiro, Raphael Claus, ao atacante norte-americano Falorin Balogun.
Tratou como um episódio normal, sob o argumento de que recebe comunicações de chefes de Estado e de Governo de outros países. Afirmou que o Comitê Disciplinar da Fifa é independente. Mais tarde, o presidente do Comitê, Mohamad Al Khamali, disse que a revisão do cartão vermelho é comum.
Não é.
Os cartões amarelo e vermelho nasceram na Copa de 1970, depois uma confusa expulsão do argentino Rattín, contra a Inglaterra, no Mundial anterior.
Até 1966, havia expulsões comunicadas pelos árbitros de boca, face a face. Garrincha foi expulso assim contra o Chile, na semifinal de 1962.
O Brasil deu sumiço no bandeirinha uruguaio Esteban Marino, o julgamento não teve a testemunha central e Garrincha foi anistiado. Pôde jogar a final contra a Tchecoslováquia e ajudar a seleção a ser bicampeã mundial.
Era o único episódio de anistia a um jogador suspenso em Copas.
O que aconteceu com Balogun não é comum. É inédito.
Mais grave do que isso, só a afirmação de Donald Trump de que Raphael Claus é suspeito. Falou com quem, com John Textor?
Alguém pode gostar ou não do estilo de Claus, mas suspeito ele não é. Sua carreira pode ter erros, não é marcada por nenhum escândalo.
A de Trump sim. Basta olhar para os documentos do escândalo Jeffrey Epstein. O presidente dos Estados Unidos é citado mais de mil vezes nos arquivos liberados pelo Departamento de Justiça, com alegações de agressões sexuais.
Claus está em sua segunda Copa do Mundo. Não cometeu nenhum erro e o cartão vermelho a Balogun não é um erro. Alguém pode até considerar exagerado, não equivocado.
Pelo menos a Fifa soltou outra nota oficial para dizer que o reconhece como um dos líderes da arbitragem mundial e merece confiança e respeito.
Se não fosse assim, quem estaria sob suspeita seria a Fifa. Foi isso que Donald Trump insinuou, sem querer querendo.
Gianni Infantino tem bastante coisa para explicar. Até a confecção da tabela favoreceu os Estados Unidos, sempre na Costa Oeste, de clima mais ameno do que a Costa Leste.
A Espanha seria a adversária das quartas de final se os norte-americanos não tivessem sido eliminados pela Bélgica, com goleada por 4 x 1. Jogaram em Toronto, perto de Nova York, viajaram para Dallas, iriam para Los Angeles, cruzando a América do Norte para jogar contra os norte-americanos. Pode-se dizer que os anfitriões normalmente têm caminhos mais suaves. Mas, na Copa de 2014, o Brasil jogou em São Paulo, Brasília, Fortaleza, Belo Horizonte, outra vez na capital cearense, antes do 7 x 1 no Mineirão.
A Rússia foi presentada com viagens entre Moscou, São Petersburgo, Samara e Socchi. Nesta Copa, os anfitriões foram beneficiados. O México ficou entre sua capital e Guadalajara. Os americanos apenas entre Los Angeles, Santa Clara e Seattle.
Jules Rimet mudou a Fifa de Paris para a Suíça, fugiu das guerras, protegeu a taça, fez da Copa o maior torneio do mundo.
Infantino inventou uma sede em Miami e concedeu um prêmio pela paz ao presidente que declarou a guerra.
E Trump ainda largou seu prêmio em cima do púlpito.
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