Copa: Conheça a origem de hat-trick, poker-trick e manita – 19/06/2026 – Esporte


Lionel Messi fez os três gols da Argentina no jogo contra a Argélia, válido pelo Grupo J da Copa do Mundo de 2026. O feito do craque da seleção alviceleste é conhecido por fãs e praticantes do futebol como hat-trick.

Até a conclusão deste texto, Messi era o único que tinha balançado as redes do time adversário três vezes em uma partida nesta edição do Mundial da Fifa.

Kylian Mbappé, Harry Kane e Erling Haaland são alguns dos que marcaram duas vezes em suas estreias, mas ainda não chegaram a um hat-trick na Copa.

O termo é associado aos truques de mágica (trick, em inglês) em que são usados cartolas ou outros tipos de chapéu (hat, em inglês).

A expressão sugere que o atleta, ao marcar três vezes no mesmo jogo, encanta os espectadores, como faz o mágico ou o ilusionista.

COMO NASCEU A EXPRESSÃO

A origem do termo está no críquete —esporte popular em países de Europa, Ásia e Oceania, em que o objetivo de quem ataca é arremessar uma bola para derrubar estacas de madeira (wicket, em inglês).

O defensor se posiciona na frente do alvo, com um bastão nas mãos, e visa rebater a bola arremessada, que pode atingir velocidades acima dos 150 quilômetros por hora.

Em 1858, o arremessador britânico HH Stephenson superou o batedor e acertou três vezes consecutivas as estacas, no Hyde Park Cricket Grounds, em Sheffield, na Inglaterra.

O feito, considerado improvável, rendeu a Stephenson uma cartola nova, como recompensa, e o apelido para a trinca de acertos pegou.

Com o passar dos anos, a expressão foi adotada por esportistas de diversas modalidades em que o objetivo dos jogadores é acertar um alvo —incluindo o futebol. Em português, também é usado o termo ‘triplete’, menos conhecido.

Cristiano Ronaldo marcou três tentos em 66 jogos e é o jogador em atividade com mais ‘hat-tricks’, seguido por Messi, que tem 61.

O brasileiro Leônidas da Silva é dono de um triplete contra a Polônia, no primeiro jogo da Copa de 1938.

O placar ficou em 6 a 5 para o Brasil, mas o Diamente Negro não foi o maior goleador da partida. Coube ao polonês Ernst Wilimowski a proeza de marcar quatro vezes para os europeus.

E QUEM MARCA MAIS DE TRÊS?

Quatro gols marcados em uma partida por um mesmo jogador é incomum, mas acontece. E também tem apelido: poker-trick, ou apenas pôquer.

A relação com o carteado se deve ao valor que a combinação de quatro cartas iguais tem —além de ser um acontecimento raro. Quem sai com uma “quadra” na mão no jogo de pôquer está com a vitória bem encaminhada.

No futebol não é diferente: na Copa de 1950, Ademir de Menezes balançou as redes quatro vezes para o Brasil contra a Suécia, e o placar ficou em 7 a 1 para a seleção canarinho. Ele é o único brasileiro com um pôquer em Mundiais.

CINCO NÃO É DEMAIS

O jogador que marca cinco vezes na partida de futebol é autor de uma manita. A origem da expressão é incerta, mas pode fazer referência aos cinco dedos de uma mão. Em espanhol, é comum o uso do termo repoker, outra alusão ao jogo de cartas.

Cristiano Ronaldo é dono de pelo menos duas manitas —nas goleadas por 9 a 1 contra o Granada e por 6 a 0 sobre o Espanyol, ambas em 2015, atuando pelo Real Madrid.

Messi também conquistou o feito na goleada do Barcelona diante do Bayer Leverkusen, por 7 a 1, em 2012.

O argentino se tornou o primeiro jogador da história com uma manita em jogos da Champions League. Dez anos depois, ele repetiu a dose pela seleção argentina em amistoso contra a Estônia.

E SEIS? E SETE?

Em caso de seis gols, o mais comum é double hat-trick, em alusão a dois tripletes. Não há registro de uma expressão para quem marca sete vezes ou mais em um jogo.



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