Copa: Brasil não está pronto, mas quase ninguém está – 01/07/2026 – Marcelo Bechler


Contra o Japão, o Brasil mostrou que não está pronto. Assim como a Alemanha, eliminada mais uma vez antes das oitavas de final, não estava.

Portugal e Espanha, pelo que jogaram na primeira fase, idem. A Inglaterra sofre com defesas fechadas. Marrocos jogou bem contra a Holanda, mas passou 65 minutos sem finalizar contra o Brasil, só fez um gol na Escócia e sofreu dois do Haiti. Se formos ver bem, ninguém está pronto. Exceto a França e, talvez, a Argentina, de quem ainda desconfio.

A Copa está mostrando um ou dois claros favoritos. Os franceses vêm de duas finais consecutivas, mas com críticas por não explorarem todo o poderio individual de seus jogadores. Na Euro 2024, fizeram só quatro gols em seis jogos. Agora o jogo mudou.

Foram 14 em quatro partidas. Um time superveloz, com Mbappé como ponta final, Dembélé com capacidade de finalizar igualmente bem com os dois pés, Barcola aproveitando os espaços para correr como poucos. E tem Olise. Alguém que às vezes parece não entender essa alta rotação dos atacantes e joga no seu próprio tempo. Ele dá pausa, tranquilidade e cabeça fria aos pés acelerados de seus companheiros. Já foram cinco assistências e mais de uma dezena de lances objetivos e bonitos, que fazem o time ser preciso e agradável de ver.

A defesa funciona como uma rocha, com jogadores físicos e rápidos para impedir jogo curto ou transições rivais. A França é o que mais se assemelha a um time moderno competitivo.

Do outro lado da chave e também em grande momento está a Argentina. Faz o contrário do que a França faz e do que a maioria quer fazer. É a quarta seleção que menos corre no torneio e a quinta mais baixa.

Não tem pontas velozes ou superdribladores. Joga com quatro meio-campistas de passes curtos e muita movimentação, um atacante que não serve como referência aos marcadores e Messi. Para jogar por um extraclasse de 39 anos, Lionel Scaloni montou um time com características de aproximação e baixa velocidade. Funcionou no Qatar e vem funcionando outra vez.

Os finalistas de 2022 são times maduros, com um nível de jogo bastante superior ao dos demais até aqui. Por isso não é muito arriscado afirmar que a forma como o Brasil venceu o Japão será insuficiente para ser campeão. O que Ancelotti e seus comandados devem fazer é utilizar os jogos como um curso intensivo de evolução. O time precisa manter os pontos positivos dos últimos jogos: colocar Vinicius em boas condições, pressionar a saída do adversário e defender bem a própria área. E melhorar o restante.

Ainda é preciso atacar melhor com o adversário fechado e gerar mais perigo pelo lado direito. O espaço entre os zagueiros e Casemiro deve ser menor, para não expor a lentidão do camisa 5 (é possível ser um bom volante sem velocidade, mas para isso o time tem que estar sempre compacto).

Sem Paquetá, o desafio é encontrar um meio-campista trabalhador sem a bola e que, no ataque, coloque Vinicius no jogo e possa levar perigo perto da área. Nenhum dos convocados tem essas características reunidas, então algo tende a ser perdido, necessitando que alguém faça algo a mais. Se Martinelli entrar, o time fica menos criativo, exigindo mais de Vini e Cunha. Se entrar Danilo Santos, melhoram a chegada à área e a força defensiva, mas Vini deve ser menos servido, precisando buscar mais a bola. O ponto positivo é que a Noruega deve oferecer menos trabalho que o Japão. E que quase todas as outras seleções também precisam melhorar.


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