Contrastes do futebol – 02/05/2026 – Tostão
No meio de semana, PSG e Bayern, pelas semifinais da Liga dos Campeões, fizeram um jogo inesquecível, fascinante, com nove gols, de muita intensidade, pressão para recuperar a bola, ousado e corajoso. Na outra semifinal, Atlético de Madrid e Arsenal realizaram, ao contrário, uma partida prudente, equilibrada e de poucos riscos.
No Brasil, pela Libertadores, Boca Juniors e Cruzeiro, no Mineirão, não teve futebol. O Boca veio para tumultuar. O Cruzeiro, para mostrar que tem “espirito de Libertadores”, entrou na briga do time argentino. Matheus Pereira salvou o jogo no final da partida com um passe milimétrico, preciso, que deu a vitória ao Cruzeiro.
Flamengo e Estudiantes, na Argentina, foi também um jogo bastante violento, provocado pelos argentinos. Dizem que é o futebol raiz da América do Sul, que muitos tentam glamourizar.
São os contrastes do futebol. PSG e Bayern, em um jogo limpo, marcaram por pressão durante todo o tempo. Não se deve confundir esta pressão no jogador que vai receber a bola com a marcação individual, muito usada no passado, de correr atrás do mesmo adversário em todo o campo. O defensor entra na partida sabendo a quem vai marcar.
Na final da Copa de 70, sabíamos que a Itália fazia marcação individual em todo o campo, mesmo se o jogador mudasse de posição. Havia quatro defensores para quatro adversários, além de um zagueiro para fazer a cobertura dos quatro. Combinamos que eu me posicionaria a frente do zagueiro de sobra, entre ele e os outros quatro. No quarto gol do Brasil, Jairzinho saiu da ponta direita para o centro, seguido pelo marcador, e o lateral Carlos Alberto ocupou este espaço livre para receber a bola de Pelé e finalizar.
Como atuei à frente do zagueiro de sobra, peguei pouco na bola. Depois do jogo, o técnico Zagallo me abraçou e agradeceu pelo meu trabalho.
PSG e Bayern anulam vários clichês, lugares-comuns e conceitos muito usados no Brasil. Os dois centroavantes, Dembelê, pelo PSG, e Kane, pelo Bayern, são atacantes que se movimentam por todo o ataque, recuam, trocam passes e fazem muitos gols. São os craques centroavantes, verdadeiros. No Brasil seriam chamados de falsos 9.
Os meio-campistas Vitinha, do PSG, e Kimmich, do Bayern, chamados no Brasil de primeiros-volantes, marcam, constroem e avançam. Vitinha, com sua habilidade e mobilidade, desliza pelo gramado, de uma área a outra. Kimmich se destaca mais pelos passes e lançamentos precisos.
Os dois laterais das duas equipes, especialmente os excelentes Rakimi e Nuno Mendes, ambos do PSG, avançam ao mesmo tempo, contrariando o conceito de que quando um lateral ataca, o outro deveria se comportar como um terceiro zagueiro.
Muitos treinadores, analistas e torcedores acham que pressionar em bloco, como jogam o PSG, o Bayern e outros times, não compensa pelos grandes riscos de não recuperar a bola e deixar enormes espaços na defesa. Por outro lado, os times brasileiros costumam atuar com os zagueiros colados à grande área. Quando o meio-campo avança, sobram muitos espaços entre os dois setores para o adversário receber a bola. Sempre haverá riscos.
Partidas como as entre PSG e Bayern são esperanças contra a aridez, a mesmice e a violência no futebol.
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