Conheça nova tecnologia que ajuda a detectar o câncer de colo do útero
Hoje é Dia Mundial de Prevenção ao Câncer de Colo do Útero. Novas tecnologias prometem mais precisão no diagnóstico precoce da doença.
O número de atendimentos para o tratamento do câncer de colo do útero cresceu de forma significativa no Brasil nos últimos anos. Entre 2022 e 2025, houve um aumento de 32%, segundo dados do Ministério da Saúde.
Nesse período, a quantidade de atendimentos ambulatoriais passou de pouco mais de 498 mil, em 2022, para 659 mil em 2025. Médicos alertam que esse crescimento reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença.
Os exames preventivos continuam sendo a principal estratégia para identificar lesões antes que elas evoluam para um câncer. A recomendação é clara: mulheres entre 25 e 64 anos, que já tiveram início da vida sexual, devem realizar os exames regularmente.
Desde agosto do ano passado, está em andamento a implementação do teste de biologia molecular no SUS, Sistema Único de Saúde. Trata-se de um método moderno e inovador que faz parte do novo rastreamento.
Com tecnologia 100% nacional, detecta 14 genótipos do papilomavírus humano (HPV), identificando a presença do vírus no organismo antes da ocorrência de lesões ou câncer em estágios iniciais, inclusive em mulheres assintomáticas. De acordo com ginecologista Najla Mohamad Tayfour, do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, a substituição promete mais eficácia e precisão.
“Nós temos uma mudança muito importante e efetiva na detecção do câncer de colo. Porque vamos ter mais sensibilidade para detectar a presença do vírus, e isso vai reduzir os casos de falso negativo. Com isso, nós temos um rastreamento mais efetivo, [para] investigar com mais intensidade essas pacientes que têm um potencial maior do câncer de colo”.
O câncer de colo do útero, também conhecido como câncer cervical, é o terceiro tipo mais frequente entre as mulheres no país. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o Brasil registra cerca de 17 mil novos casos por ano, o que representa um risco de mais de 15 casos a cada 100 mil mulheres.
A doença surge a partir de alterações nas células do colo do útero, geralmente provocadas pela infecção persistente pelo vírus HPV, principalmente os subtipos 16 e 18, responsáveis pela maioria dos casos. A prevenção inclui tanto a vacinação contra o HPV quanto a realização de exames, como o papanicolau e o teste para detecção do vírus.
O papanicolau consegue identificar alterações celulares anos antes de se tornarem um tumor. Como essas lesões não apresentam sintomas e evoluem lentamente — podendo levar até duas décadas —, a falta do exame ainda é a principal causa do diagnóstico tardio.
Por isso, o recado dos especialistas é claro: prevenir é o melhor caminho e o exame pode salvar vidas.