Congresso destaca importância dos contadores na reforma tributária
Em sessão solene realizada no Congresso Nacional nesta segunda-feira (11), representantes da classe contábil destacaram a importância dos mais de 500 mil profissionais de contabilidade do país para a economia brasileira, a transparência das relações financeiras e a implementação da reforma tributária.
A cerimônia, realizada no Plenário do Senado Federal, celebrou os 80 anos do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e o Dia do Contabilista, comemorado em 25 de abril. Como parte das homenagens, o Senado também inaugurou uma exposição com peças do Museu da Contabilidade.
Um dos parlamentares que solicitaram a sessão foi o senador Izalci Lucas (PL-DF), que também é contador. Durante o evento, ele ressaltou que os profissionais da contabilidade exercem papel essencial na manutenção da atividade econômica, no cumprimento das obrigações fiscais e no fortalecimento da transparência nas relações entre empresas, cidadãos e poder público.
“O contador é, muitas vezes, o conselheiro de quem decide empreender. São os contadores que ajudam a pequena empresa a nascer; são os contadores que orientam o comerciante que está tentando manter as portas abertas; somos nós que atravessamos a madrugada fechando balanços, organizando folhas salariais, enfrentando prazos e mudanças tributárias quase que diárias para garantir que uma empresa continue funcionando”, declarou Izalci.
Ao ressaltar a responsabilidade técnica e ética da categoria, o senador afirmou que os profissionais de contabilidade atuam com a consciência de que “decisões erradas podem destruir empresas, empregos, patrimônios e sonhos construídos durante uma vida inteira”.
Izalci e o presidente do Conselho Federal de Contabilidade, Joaquim de Alencar Bezerra, informaram que há cerca de 540 mil profissionais de contabilidade registrados e em atividade no país, além de quase 100 mil organizações contábeis.
Desafios e reconhecimento
Bezerra disse que os principais desafios da categoria são o reposicionamento dos profissionais diante das transformações tecnológicas, a valorização da categoria e o reconhecimento da contabilidade brasileira no âmbito global.
Ao avaliar o momento atual, ele observa que há guerras tarifárias, mudanças no sistema tributário e crescente desconfiança nas instituições — e que esse contexto põe a contabilidade no centro do debate, com protagonismo para contribuir para o aprimoramento de controles, a melhoria regulatória e as decisões judiciárias, bem como para o combate à corrupção e à lavagem de dinheiro.
Segundo o presidente do CFC, a contabilidade é fundamental para a confiança na economia do país, mas fez uma ressalva: a sociedade e o mercado precisam reconhecer esse valor.
O senador Laércio Oliveira (PP-SE), que participou da sessão, defende esse reconhecimento. Ele propõe inclusive que, entre os dirigentes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), haja representantes com formação contábil.
Reforma tributária
O presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento (Fenacon), Daniel Coêlho, lembrou que os contabilistas participam de várias etapas das atividades empresariais, da abertura de pequenos negócios até as decisões estratégicas de grandes organizações, transformando “números em inteligência” e contribuindo para a segurança jurídica e financeira das empresas.
Coêlho também apontou o papel central da categoria na implementação da reforma tributária.
“O Brasil inicia a implementação da reforma tributária sobre o consumo. Uma mudança histórica, complexa e transformadora. Os profissionais da contabilidade serão protagonistas absolutos desse processo. Serão responsáveis por interpretar a nova legislação, adaptar sistemas, orientar empresas e garantir uma transição segura para o novo modelo tributário”.
Transformação digital
Ao comentar os impactos das inovações tecnológicas sobre a profissão, os participantes da sessão frisaram que os contadores precisam desenvolver novas habilidades, que envolvem o domínio dessas tecnologias, a capacidade de análise de dados, o pensamento crítico e a visão estratégica.
Segundo eles, embora a tendência seja que tarefas repetitivas sejam automatizadas, continuarão sendo funções essencialmente humanas a interpretação técnica, as escolhas éticas e a capacidade de orientar decisões.
“Nesse contexto, a contabilidade e a auditoria independente se tornam ainda mais essenciais, pois num mundo marcado pelo excesso de informações o que realmente importa é a confiança”, argumentou Sebastian Soares, presidente do Instituto de Auditoria Independente do Brasil (Ibracon).
Izalci Lucas reforçou a necessidade do profissional da contabilidade com o advento da inteligência artificial.
“Vivemos a era da inteligência artificial, da automação e da transformação digital. Ao contrário do que muitos imaginam, isso não diminui a importância da contabilidade; aumenta! Porque quanto mais tecnologia existe, maior se torna a necessidade de profissionais capazes de preparar dados, orientar decisões e garantir segurança nas informações”, enfatizou o senador.
Fonte: Agência Senado