como isso impacta negócios e competitividade
A força de um passaporte deixou de ser apenas um indicador de facilidade de viagens internacionais e passou a ser analisada também como reflexo da competitividade econômica e tributária de um país. Essa relação é apontada pelo Global Passport Index 2026, divulgado pela Global Citizen Solutions, que avalia 199 países com base em mobilidade internacional, atratividade de investimentos e qualidade de vida.
No ranking mais recente, o Brasil ocupa a 49ª posição global e a segunda colocação na América Latina, com destaque para o desempenho em mobilidade, mas limitações no campo econômico e tributário.
A avaliação reforça uma tendência observada em estudos internacionais: países mais bem posicionados em liberdade de circulação tendem também a apresentar maior integração econômica, melhor ambiente de negócios e maior capacidade de atrair investimentos.
Passaporte como indicador de ambiente econômico e confiança internacional
Para a contadora, tributarista, professora e colunista de podcast do Portal Contábeis, Camila Oliveira, a força de um passaporte vai além do turismo e está diretamente relacionada à percepção internacional sobre estabilidade institucional e ambiente de negócios.
“Muitas pessoas associam um passaporte forte apenas à facilidade de viajar, mas esse indicador revela muito mais do que isso. Ele demonstra como aquele país é percebido pela comunidade internacional em termos de confiança, estabilidade institucional e relacionamento diplomático”, explica.
Segundo ela, essa percepção influencia diretamente a circulação de empresários, investidores e profissionais qualificados, o que impacta o dinamismo econômico do país.
Mobilidade, tributação e segurança jurídica formam um mesmo ecossistema
Na avaliação da especialista, mobilidade internacional, segurança jurídica e sistema tributário não são fatores isolados, mas componentes interdependentes na decisão de investimento.
“O investidor busca previsibilidade. Ele quer saber que poderá desenvolver seus negócios em um ambiente com regras claras, estabilidade institucional e um sistema tributário transparente e eficiente”, afirma Camila.
Ela destaca que a mobilidade facilita a operação internacional das empresas, enquanto o sistema tributário influencia diretamente o custo de fazer negócios e a competitividade entre países.
Sistema tributário influencia diretamente a atração de investimentos
Embora a carga tributária não seja o único fator decisivo, ela tem papel relevante na competitividade internacional dos países.
De acordo com Camila Oliveira, sistemas tributários mais simples, previsíveis e estáveis tendem a atrair mais investimentos estrangeiros e talentos internacionais.
“Os países mais competitivos normalmente apresentam menos burocracia, regras claras e acordos para evitar dupla tributação”, explica.
Ela acrescenta que o problema não está apenas no valor do tributo, mas no custo de conformidade e na insegurança causada por mudanças frequentes na legislação.
Internacionalização de empresas exige planejamento tributário estruturado
Com o aumento da atuação global de empresas brasileiras, a especialista destaca que o planejamento tributário internacional passou a ser etapa essencial antes da expansão.
Entre os principais pontos de atenção estão regras de tributação no país de destino, preços de transferência, retenções na fonte e obrigações acessórias.
“A internacionalização oferece oportunidades, mas exige planejamento cuidadoso para evitar custos inesperados e garantir conformidade em diferentes jurisdições”, afirma.
Camila Oliveira avalia que a Reforma Tributária pode contribuir para melhorar a posição do Brasil em rankings internacionais, ao reduzir complexidades do sistema atual.
A simplificação da tributação sobre o consumo e a redução da cumulatividade são apontadas como fatores que podem diminuir o chamado “Custo Brasil”.
No entanto, ela ressalta que a previsibilidade das regras será determinante para atrair investimentos de longo prazo.
“O investidor valoriza a previsibilidade. Mais do que pagar menos tributos, ele quer confiança de que as regras serão claras e estáveis”, afirma.
Rankings internacionais ajudam a entender competitividade do país
Para a especialista, rankings como o Global Passport Index funcionam como um termômetro da economia global, indo além da análise de mobilidade.
Eles permitem identificar como os países são percebidos em termos de inovação, segurança jurídica, ambiente de negócios e capacidade de atração de investimentos.
“Cada vez mais, a tributação deixa de ser um tema exclusivamente fiscal para se tornar uma ferramenta estratégica de competitividade e crescimento empresarial”, conclui.