CNC pesquisa impacto do fim da jornada 6×1 em empresas
Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) encerra uma pesquisa nacional nesta sexta-feira (22) com empresários de todo o país para mensurar os impactos operacionais e financeiros do fim da jornada de trabalho 6×1, como forma de subsidiar dados técnicos em oposição às propostas rígidas de alteração legislativa que tramitam no Congresso Nacional.
O questionário possui duração média de cinco minutos e pode ser respondido até o final desta sexta através do link: Pesquisa CNC sobre Jornada 6×1.
A coleta de dados estruturada pela entidade tem o objetivo de colher impressões reais de quem gera empregos nos setores de comércio, serviços e turismo. A intenção é mostrar como a proibição da escala atual afetará o caixa e o funcionamento das empresas.
Estudos prévios elaborados pela própria confederação apontam que uma transição já de inicio para um teto semanal de 36 horas geraria um custo de adequação de R$ 358,1 bilhões por ano ao mercado. Desse total, R$ 122,4 bilhões afetarão o comércio e R$ 235,7 bilhões seriam absorvidos pelos serviços.
O principal argumento técnico da entidade é que o setor terciário depende de mão de obra intensiva e atua com horários estendidos de atendimento. Uma imposição legal sem flexibilidade demandaria contratações em massa para cobrir os dias de folga obrigatória ou o pagamento de um volume insustentável de horas extras.
De acordo com a gerência econômica da federação, esse aumento imediato nas folhas de pagamento geraria um efeito cascata na inflação nacional. A estimativa inicial indica que o repasse de custos para os preços dos produtos e serviços oferecidos ao consumidor final poderia atingir a marca de 13%.
O segmento do turismo é apontado como um dos mais vulneráveis em caso de avanço do projeto no legislativo. Hotéis, restaurantes e transportes operam continuamente em regime de plantão e não conseguem substituir as funções humanas por processos de automação tecnológica integral.
Diante do cenário, a entidade representativa defende publicamente que qualquer alteração nos modelos de jornada ocorra via negociação coletiva entre sindicatos patronais e de trabalhadores. O entendimento é de que cada convenção regional consiga respeitar as particularidades econômicas de sua localidade.
Outras entidades representativas dos setores de transporte também se manifestaram no mesmo sentido, sugerindo que, caso o projeto avance no parlamento, haja uma regra de transição gradual que reduza o teto da jornada em uma hora por ano para atenuar o impacto econômico.
Os dados finais do questionário empresarial serão compilados nos próximos dias pelo departamento de estatística do órgão privado. O relatório completo será apresentado às comissões temáticas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal para balizar o debate político com critérios técnicos de produtividade.