Ciência, arte e acaso moldam o futebol – 09/05/2026 – Tostão
Paris Saint-Germain e Arsenal farão a final da Liga dos Campeões. Os dois zagueiros titulares da seleção brasileira estarão presentes, Marquinhos pelo PSG e Gabriel Magalhães pelo Arsenal. Ambos estão entre os melhores do mundo nas suas posições.
Vou torcer para o Arsenal, porque não chegava à final da competição há 20 anos e por causa de José Trajano, torcedor do time inglês. No empate por 1 a 1 entre PSG e Bayern de Munique, os dois times utilizaram as formações táticas adotadas pela seleção brasileira com Ancelotti.
O PSG, com um trio no meio, deslocou um dos meio-campistas, Fabián Ruiz, para a esquerda com a finalidade de proteger o lateral Nuno Mendes contra o excepcional ponta-direita Olise. Funcionou muito bem. Mais do que isso, Kvaratskhelia, excelente atacante pela esquerda do PSG, atuou livre, sem precisar voltar para marcar.
No gol do PSG, Fabián Ruiz, pela esquerda, deu um ótimo passe para Kvaratskhelia, que recebeu a bola nas costas do lateral, driblou o zagueiro e deu a bola para Dembélé marcar. A jogada foi idêntica à do primeiro gol do Brasil contra a Croácia, quando Matheus Cunha, recuado, nas mesmas posição e função de Ruiz, passou para Vini, que driblou o marcador e tocou para Danilo marcar.
O PSG, hoje o time mais elogiado do mundo, não tem um clássico camisa 10, um meia avançado e centralizado. O time joga com um trio no meio-campo (Vitinha, João Neves e Ruiz). Os três, alternadamente, marcam, organizam e atacam. Isso não significa que o clássico camisa 10, tão desejado no Brasil, não tenha mais importância, mas é preciso ampliar o olhar sobre o futebol.
O Bayern e também o Arsenal atuam com dois meio-campistas mais um meia centralizado e avançado, como jogou o Brasil contra a França e nas partidas anteriores sob o comando de Ancelotti. A maioria dos times brasileiros atua dessa maneira.
Ancelotti deverá usar as duas formações, a do PSG e a adotada pelo Arsenal e pelo Bayern, de acordo com o momento. Se Vinicius Junior atuar pela esquerda, sem precisar voltar para marcar, como fez contra a Croácia, por causa do recuo de Matheus Cunha, o time terá um centroavante.
Hoje, o mais cotado é João Pedro. Raphinha entraria pela direita. Se Vinicius Junior atuar pelo centro, como fez contra a França e em muitas partidas anteriores sob o comando de Ancelotti, Raphinha será o atacante pela esquerda.
O Brasil é candidato ao título mundial, embora haja seleções um pouco melhores, como França e Espanha. Em um jogo eliminatório de Copa do Mundo ou de Liga dos Campeões, detalhes técnicos, táticos e acasos podem mudar a história. A ciência esportiva é essencial, porém não podemos desprezar o acaso.
Acaso não tem nada a ver com o sobrenatural nem é o que não pode ser explicado hoje pela ciência e amanhã será conhecido. Acaso são fatos comuns, frequentes, que podem ocorrer a qualquer momento, sem avisar. A bola entra também por acaso.
O Iluminismo, surgido no século dezessete, “XVII”, dizia que a razão era o único caminho para o conhecimento ser atingido e para as pessoas serem melhores e mais felizes. Não é bem assim. O mundo atual está um caos, com tantas guerras, distúrbios emocionais, corrupções, criminalidade e preconceitos.
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