Calor pode derrubar seleções? Entenda quem sofre mais em campo
A Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, promete apresentar desafios além da qualidade técnica das seleções. Em algumas cidades-sede, as altas temperaturas podem se tornar um fator decisivo durante as partidas. Especialistas explicam por que alguns times tendem a sofrer mais com o calor e como a adaptação ao clima pode influenciar diretamente o desempenho em campo.
Em esportes de alta intensidade, como o futebol, as temperaturas elevadas representam um desafio adicional para o organismo. Quando o corpo precisa lidar simultaneamente com o esforço físico e com o calor, o desgaste aumenta e o desempenho pode cair ao longo da partida.
A adaptação ao calor faz diferença
Um dos principais fatores que explicam a diferença de rendimento entre as seleções é a aclimatação — quando o organismo se adapta gradualmente às condições climáticas de um novo ambiente, tornando-se mais eficiente para lidar com fatores como calor, umidade e altitude.
Equipes acostumadas a treinar e competir em regiões mais quentes tendem a desenvolver mecanismos mais eficientes para controlar a temperatura corporal durante o exercício.
Segundo o médico do esporte Páblius Braga, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo, atletas que vivem em locais frios ou com pouca variação climática podem encontrar mais dificuldades quando precisam atuar sob temperaturas elevadas. Além disso, fatores genéticos também influenciam a resposta do organismo ao calor.
“O calor não afeta todos os atletas da mesma maneira, e características individuais podem determinar uma capacidade maior ou menor de adaptação ao ambiente”, destaca o especialista.
Como o calor afeta o desempenho em campo
Durante uma partida, o corpo aumenta a produção de suor para tentar manter a temperatura interna sob controle. Esse processo, porém, exige um grande esforço fisiológico. Ao mesmo tempo em que precisa enviar sangue para os músculos, o organismo também direciona parte da circulação para a pele, favorecendo a dissipação do calor.
De acordo com o médico do esporte Anderson Clayton Sant’Anna, da plataforma de consultas médicas INKI, esse mecanismo aumenta a sensação de esforço e acelera a fadiga. A situação se torna ainda mais desafiadora quando há alta umidade do ar, já que a evaporação do suor ocorre de forma menos eficiente.
“Em ambientes quentes e úmidos, o atleta perde a capacidade de sustentar esforços intensos repetidos, o que compromete tanto o rendimento físico quanto a tomada de decisões durante o jogo”, explica.
Quais cuidados ajudam a minimizar os efeitos do calor
Para reduzir os impactos das altas temperaturas, as equipes investem em estratégias específicas antes, durante e depois das partidas. A aclimatação prévia ao local da competição continua sendo uma das medidas mais eficazes, normalmente realizada entre sete e 14 dias antes dos jogos.
Além disso, a hidratação adequada, a reposição de eletrólitos e o monitoramento constante das condições climáticas são fundamentais para preservar o desempenho e a saúde dos atletas. Recursos como bebidas geladas, toalhas frias, pausas para hidratação e técnicas de resfriamento corporal também fazem parte da rotina de times que disputam torneios em ambientes quentes.
Sem esses cuidados, aumentam os riscos de desidratação, exaustão pelo calor, queda de rendimento e até quadros mais graves, como hipertermia e insolação. Por isso, em grandes competições, a preparação para enfrentar o calor é tão importante quanto o treinamento técnico e tático.