Bússola uruguaia para torcer na Copa do Mundo – 17/07/2026 – Sandro Macedo


Que delícia ligar a TV para ver futebol e dar de cara com o Brasileirão. Mas o sentimento ainda era de Copa do Mundo, como quando vi um lateral ofensivo pela esquerda, com fôlego para ir ao ataque e voltar para ajudar na marcação. Me lembrei de Cucurella, mas o jovem em questão era Cuiabano.

Ainda no primeiro tempo, com sua saliente perna esquerda, ele tocou no meio das pernas do marcador do Vitória com a mesma destreza de um Messi; conduziu a bola com vigor, como faria o próprio Cucurella; e na hora de finalizar da entrada da área, chutou meio mascado, torto e sem força, como Cuiabano mesmo.

No segundo tempo entrou o colombiano Andrés Gómez, primeiro jogador presente na Copa —jogou nos acréscimos contra o Uzbequistão— a atuar de volta em terras brasilis. E o Vasco, de Gómez e Cuiabano, perdeu.

Teve ainda um outro jogo, cuja manchete também tinha gostinho de Copa: Sem Neymar, Santos… (preencha os pontinhos como quiser, teremos mais alguns “sem Neymar” até o fim do ano). A vantagem do Brasileiro é que não há muita decepção. Aguardo o comercial da Brahma “tá liberado lamentar”, agora que o “tá liberado acreditar” foi devidamente aposentado.

Mas a maior Copa de todos os tempos ainda terá a final neste domingo (19). É a primeira final entre dois países com idioma espanhol desde Uruguai 4 x 2 Argentina, em 1930. O jogo também será marcado pelo maior intervalo de Copa de todos os tempos, com cerca de 25 artistas subindo ao palco para um show de 11 minutos. Será o primeiro “Se Vira nos 30” sem apresentação de Faustão.

E para quem torcer na final, Espanha ou Argentina? Neste ano, consegui chegar ao resultado seguindo a orientação enviada por um amigo que nem é tão fã de futebol: a Bússola Moral do Torcedor Uruguaio.

Trata-se de um guia prático com algumas regras para ajudar o colega uruguaio a escolher a seleção quando ele não está envolvido, o que é frequente e invariavelmente bem cedo na competição —não que os brasileiros estejam muito melhor.

Uma das regras é: se tem um africano, torça por ele. Afinal, eles sofreram com o colonialismo, e seria ótimo ter um africano campeão. Outra orientação, muito boa, é o Princípio Johan Cruyff. Ele te libera para torcer para a Holanda por alguns motivos: normalmente tem um futebol bonito, nunca venceu um Mundial na história e consegue perder finais de maneiras comoventes. Tudo verdade.

E a regra é imediatamente desativada se o rival holandês for um africano, asiático ou latino. E se o jogo for entre europeus? Bem, tem também a norma Europa x Europa. Nesse caso, é preciso aplicar a escala do imperialismo e torcer para a seleção que está mais abaixo na escala.

No topo do imperialismo, por exemplo, está a Inglaterra, seguida por França, Espanha, Holanda e Bélgica —mas lembre-se de que a Holanda tem o habeas corpus Johan Cruyff.

Seguindo a bússola uruguaia, devemos torcer então para a França diante da Inglaterra no jogo que vale o terceiro lugar. E aí tem a regra de ouro, que desqualifica todas as outras, um princípio matriz para todo torcedor uruguaio que será replicado por este escriba: se a Argentina joga, torça pelo rival.

Quatro músicas do Oasis e uma regravação dos Rolling Stones para a torcida inglesa cantar agora:

1. “Stop Crying Your Heart Out” (pare de chorar tanto)

2. “Don’t Look Back In Anger” (não olhe para trás com rancor)

3. “Don’t Go Away” (não vá embora)

4. “Falling Down” (desmoronando)

5. “Sympathy For the Devil Messi” (simpatia pelo diabo Messi)


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.



Fonte da Notícia