Alta nas passagens aéreas faz brasileiros mudarem planos
Viajar de avião continua pesando no bolso dos brasileiros. Segundo a Anac, Agência Nacional de Aviação Civil, a passagem aérea custou, em média, R$ 660,54 em junho. O valor representa alta de 0,3% em relação ao mesmo mês do ano passado e de 3,1% na comparação com junho de 2024, já descontada a inflação.
Quem sentiu esse impacto foi a advogada Célia Lima Negrão. Ela conta que viu o preço de uma passagem para São Paulo praticamente dobrar conforme a data da viagem se aproximava. Para ela, além do aumento das tarifas, os passageiros ainda precisam pagar por serviços que antes já estavam incluídos, como bagagem e até a escolha de assentos para famílias viajarem juntas.
“A passagem que eu pesquisei para São Paulo em agosto comprei por setecentos e poucos reais. Agora fui pesquisar novamente, perto da viagem, e já está R$ 1.400. Está um absurdo. A gente não entende o motivo dos preços absurdos. Agora a gente não tem mais direito a mala. A gente ainda tem que pagar pelo assento.”
O painel da Anac mostra que quase metade das passagens vendidas no país, ou 47,2%, custou menos de R$ 500. Já 6,3% dos bilhetes passaram de R$ 1.500. A agência atribui parte da pressão sobre os preços ao valor do combustível de aviação, que ficou, em média, em R$ 5,66 o litro em junho, alta de 57,6% em um ano. O querosene de aviação representa cerca de um terço do valor da passagem.
A alta das tarifas também fez a assessora de marketing Juliana Andrade mudar os planos de viagem. Depois de comparar os preços, ela decidiu adiar as férias para um período com passagens mais baratas.
“Pesquisei as passagens para viajar nas minhas férias em junho, mas os preços estavam muito altos. Quando comparei com agosto, percebi que as tarifas estavam bem mais acessíveis, então decidi remarcar as férias para esse período e economizar.”
A Anac esclarece que o cálculo do valor da passagem considera apenas o preço pago pelo transporte aéreo, sem taxas de embarque ou serviços extras, como bagagem e marcação de assento. Ficam de fora passagens compradas com milhas, tarifas corporativas ou descontos para funcionários das companhias.