A única solução é ganhar a Copa – 06/12/2025 – Tostão
Apesar das incertezas do futebol, da insegurança na associação do desempenho com os resultados, a Copa do Mundo é a única competição com tantos jogos mata-mata espalhados pelo mundo em que nunca houve uma grande surpresa, uma seleção pequena ou mesmo média ganhar o Mundial. Um dia isso pode acontecer.
A seleção estreia contra a forte equipe de Marrocos, quarta colocada na Copa de 2022, mesmo considerando que ela não está entre as favoritas. Depois enfrenta o fraquíssimo Haiti. E o terceiro jogo é contra a fraca Escócia, embora os escoceses tenham o hábito de formar grandes retrancas. São duas vagas e mais oito para os melhores terceiros lugares. Não haverá dificuldades para a classificação.
A seleção brasileira tem deficiências, mas todas as outras candidatas ao título mundial também têm problemas. A Espanha, das concorrentes, é a que joga o futebol que mais gosto de ver, por ter grandes craques, como Pedri e Lamine Yamal, pelo domínio da bola, pela troca de passes e pelo jogo bonito, com eficiência. Mas não a vejo como a única favorita, pois a diferença é muito pequena para as outras candidatas ao título, como Argentina, França, Portugal, Brasil, Inglaterra e Alemanha.
Uma equipe com Raphinha, Vinicius Junior e outros ótimos atacantes tem tudo para ser muito forte. Raphinha, depois de uma contusão, voltou a atuar desde o início do jogo, com intenso brilho, na vitória do Barcelona sobre o Atlético de Madrid por 3 a 1.
Diferentemente de outros grandes atacantes, como Vinicius Junior, que precisam de muitos ótimos lances para fazer uma jogada decisiva, Raphinha, em duas ou três ações, torna-se um grande protagonista com seus passes e finalizações precisas.
Neymar ainda é uma esperança para o Mundial, porém nada mais antiquado do que dizer que, com 50% de condições físicas, ele já deveria ser titular na Copa do Mundo. Com Ancelotti, Neymar só vai jogar se estiver muito bem fisicamente.
Uma das minhas preocupações é a seleção continuar refém da transição rápida da bola, às vezes apressada, da defesa para o ataque, para aproveitar as características dos atacantes, rápidos e dribladores. Eles dependem de muitos espaços para brilhar intensamente. O ideal é alternar essa postura com a capacidade de ter o domínio da bola, de trocar passes e de esperar o momento certo para tentar a jogada decisiva, ainda mais quando enfrentar defesas mais fechadas, como deve ocorrer no Mundial.
Os clubes brasileiros continuam reféns da formação tática com dois volantes em linha com um meia avançado, centralizado. Falta, mesmo na seleção, um craque meio-campista que jogue de uma intermediária à outra e que tenha muito talento, como Vitinha, da seleção portuguesa, Pedri, da espanhola, e outros.
Quando Arthur iniciou a carreira no Grêmio, parecia que se tornaria um craque meio-campista. Ele foi para a Europa e não se destacou, como aconteceu com inúmeros outros jovens brasileiros brilhantes. Isso tem ocorrido porque o nível técnico no Brasil é mais baixo ou por outros fatores? Seria uma manifestação de nosso complexo de vira-latas, como disse Nelson Rodrigues, de achar que tudo na Europa é melhor?
A única solução para resolver os problemas e as dúvidas é a seleção brasileira ter uma excepcional atuação e ganhar o Mundial.
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