A falta que um Arrascaeta faz para a seleção brasileira – 11/12/2025 – O Mundo É uma Bola
Encerrado o Campeonato Brasileiro de 2025, ganho pelo Flamengo, veio a hora de premiar o melhor jogador. Ganhou Giorgian de Arrascaeta, 31, que joga no nosso futebol desde 2015 (Cruzeiro até 2018, Flamengo a partir de 2019).
Arrascaeta, ou Arrasca na redução popular (e Arráshca na pronúncia carioca), faturou dois prêmios: a tradicionalíssima Bola de Ouro, criada na década de 1970 pela revista Placar e oferecida desde 2016 pela ESPN, e o Craque do Brasileirão, existente desde 2005, em parceria CBF-Globo.
O meia vive sua melhor fase. Em 33 partidas no Brasileiro (de 38 possíveis), marcou 18 gols, ficando atrás só do atacante Kaio Jorge, do Cruzeiro (21 gols), e deu 14 assistências, mais que qualquer outro. Notável.
Imune a lesões que o atrapalharam em temporadas anteriores, Arrasca brilhou mais até que em 2019, quando, também inteiro fisicamente, anotou 13 gols e contribuiu com 14 assistências no Brasileirão conquistado pelo rubro-negro.
E, súbito, vem a realidade: Arrascaeta não é brasileiro, mas uruguaio.
Pois ele é o atleta que falta a uma seleção brasileira que, mesmo com um supertécnico (o italiano Carlo Ancelotti), passa pouca confiança, resultado do modesto quinto lugar nas Eliminatórias para a Copa do Mundo que começa daqui a seis meses.
Arrasca se encaixaria perfeitamente no time canarinho, como terceiro homem de meio-campo, aquele com liberdade para criar, sem ter que marcar muito –que os volantes o façam, como fazem Jorginho e Pulgar no Flamengo–, potencializando seus pontos mais fortes: leitura de jogo, passe curto eficiente (enfiadas de bola), finalização precisa de curta e média distância.
Além disso, é muito acima da média nas bolas paradas, que, é sabido, podem decidir partidas.
Arrascaeta, ressalte-se, é jogador para ditar o ritmo (pausar e acelerar), para criar jogadas de ataque que não exijam tanta pressa. Não é um jogador lento, porém a cadência lhe cai bem. Para jogar em alta velocidade e em contra-ataques e para marcação constante por pressão, ele não é exatamente recomendável.
Muito por isso, pelo estilo de jogo empreendido pelo seu país, o Uruguai, de recuperação de bola e saídas ligeiras para pegar o rival desorganizado, empreendendo uma “correria estruturada”, o camisa 10 pouco sobressaiu.
O posicionamento de Arrasca na Celeste mostrou-se inadequado. Ele rende como meia centralizado, não como meia aberto, pelas laterais. Até porque, aberto, deixa de ser meia (está no nome, meia joga pelo meio), vira ala.
Seria lindo ter um Arrascaeta de verde e amarelo. Pois, o que é absurdo pela quantidade de pé de obra, o Brasil não tem um único craque com as características dele.
Nosso melhor meia hoje, Matheus Pereira, do Cruzeiro, que ainda não foi convocado por Ancelotti, é mais vertical, agudo. Lucas Paquetá, possível nome na Copa, não passa tão bem e tem atuações irregulares.
O Brasil de Ancelotti formata-se para jogar com dois volantes e quatro atacantes (dois pelo meio, dois pelas pontas). Sem um Arrasca, até porque não temos um.
E, sem um Arrasca para abastecer o ataque, quem fará isso? Um dos atacantes do meio, recuado, fora de habitat e sem qualidade para tal. Iremos no improviso –até somos bons nisso, mas deveria ser exceção, não regra.
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