45% das notas fiscais ainda estão fora das novas regras


Quase metade das notas fiscais no Brasil ainda não seguem o padrão exigido pela Reforma Tributária, segundo dados mais recentes da Receita Federal, 45% dos documentos continuam fora das novas regras, enquanto 55% já incluem corretamente as informações dos novos tributos, o que representa cerca de 12,5 milhões de empresas adaptadas. 

A partir de agosto, o preenchimento dos campos de Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) passa a ser obrigatório, e as companhias que não se adequarem poderão ser notificadas ainda neste ano, já as multas começam em 2027.

A exigência vale para documentos como Nota Fiscal Eletrônica, Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica, Nota Fiscal de Serviço Eletrônica e Conhecimento de Transporte Eletrônico. O setor de serviços concentra o maior gargalo: apenas 3,78% das notas em circulação possuem os novos padrões. O índice esbarra na lentidão da adaptação dos sistemas de emissão de prefeituras municipais.

Em 2026, a adaptação ainda ocorre em caráter informativo, sem cobrança plena dos novos tributos, mas já funciona como teste para empresas, sistemas e administrações tributárias. A Receita tem tratado o período como fase de ajuste, com orientação e regularização antes da aplicação de penalidades.

Para o contabilista Fábio Edelberg, CEO da Navecon, o risco de deixar a adaptação para a última hora não está apenas na multa futura. “A nota fiscal passa a ter papel central nessa transição. Não é só incluir novos campos. A empresa precisa garantir que a operação esteja classificada corretamente, que o cadastro fiscal esteja ajustado e que o sistema consiga emitir sem inconsistências. Quem deixar isso para depois pode enfrentar retrabalho, falhas na emissão e perda de controle sobre a própria operação”, afirma.

Segundo Edelberg, o período até agosto precisa ser tratado como uma janela de preparação. “O empresário que encara 2026 como um ano sem efeito prático está cometendo um erro. É agora que sistema, cadastro, classificação fiscal e rotina de emissão precisam ser testados. Quem entrar em 2027 sem domínio dessas informações vai carregar o problema para dentro da operação e gerar prejuízos para o negócio”, diz.

Para que empresas possam evitar desafios futuros com a Reforma Tributária, o executivo destaca quatro pontos fundamentais para que empresas atravessem o processo de transição com tranquilidade.

  1. Revisar a classificação de todos os produtos e serviços da base. Um código incorreto pode travar a emissão na hora da venda;
  2. Simular emissões em ambiente de homologação. Verificar se o sistema ERP da empresa conversa sem falhas com a plataforma de recepção da Receita;
  3. Para prestadores de serviço, é importante acompanhar o cronograma de atualização da prefeitura. A defasagem tecnológica municipal impede o avanço da nota de serviço para o padrão nacional;
  4. Capacitação da equipe financeira e de faturamento. A rotina diária exige domínio sobre as alíquotas de transição e o preenchimento exato dos novos campos tributários.

Fonte: Navecon e Rotas Comunicação





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